
Ó Senhor Saber,
Areia dia a dia.
Ali ao lado esperas,
A Paciência.
Toleras o incongruente,
Nas esquinas.
Soubeste criar fonte,
De Equilíbrio
Num deserto.
Houve mesmo quem
Ao saber-te assim
Pensasse.
Pé descalço
Gelado chão
Cinco palmos de terraObscuros
No calcanhar da noite.
Três pedaços de cartão,
Cobertor imaginário
Na ilusão dos dedos,
Escorrega naco de broa.
Perdes o pé,
Numa miragem
Entre farrapos de rua.
Lavras nas avenidas
Faina do tira tira
Nem trigo nem gente.
Sete pés sem casa
Curas tuas feridas,
No pó do chão.
Ó Ignorância
Atropelaste o Saber
Numa passadeira.
Choras num beco sem saída,
Tédio desilusão.
Auto-estrada do Aborrecimento
Sentido único do cifrão.
Subiste ao Poder
No cu das elites
A feder Estupidez.
Cá estou no Navio
Ao longe mal se vê
Cá dentro perdem-se as medidas.
De dia ao leme
À noite deitado
Roda ele por mim
Na faina diária.
Durante a luz
Meus dedos o movem
Por vezes pára
Atiro a âncora
Lança-se a prancha
Distribuem-se redes.
Salto borda fora
Sem rumo
Aposto no incerto
Vim ver
Vou de visita
Um novo Porto
Só no prazer do sentir
Iça-se a âncora
Na recolha da prancha
Puxam-se as redes.
Embarcam alguns
Ficam outros por momentos
Os restantes vivem lá
Na ilha do Jamais
Poucos permanecem
Na margem das memórias
Novos cheiros coloridos
À deriva no acaso
Cá estou eu no Navio
Ao longe mal se vê.